sexta-feira, 1 de maio de 2026
Abrindo Horizontes: turismo escolar como travessia de sonhos, encontros e descobertas que tocam a alma
Há amizades que começam com um “prazer” tímido na sala dos professores. Outras nascem no meio do caminho — literalmente, no meio da rua, entre passos apressados, sacolas de materiais recicláveis e ideias que não cabem em um único caderno. A de Débora Machry e Jacqueline Bastos começou em 2006, mas parece dessas que já vinham sendo escritas há muito tempo, como se a Ciência e a História já soubessem que precisavam andar juntas.
Débora, com seus olhos atentos aos ciclos da vida, sempre enxergou no mundo natural um convite à transformação. Jacqueline, guardiã das memórias e das narrativas humanas, via no passado as pistas para um futuro mais consciente. E foi assim, entre células e civilizações, que nasceu uma parceria que nunca coube apenas dentro da sala de aula.
Elas caminharam — e não foi metáfora. Caminharam pelas ruas do bairro São Cristóvão, observando, recolhendo, conversando com a comunidade, ensinando com os pés no chão e o coração aberto. Transformaram óleo usado em sabão, medo em conhecimento nas oficinas contra a dengue, camisetas esquecidas em bags cheias de propósito. E, às vezes, até carroça de aluno virou veículo de descarte para um posto de coleta. />
Houve um dia em que pintaram uma casa. Não qualquer casa — uma casa que virou espaço de aprendizagem, com paredes que ensinavam, cores que explicavam, cantos que despertavam curiosidade. Ali, estudantes não apenas visitavam: experienciavam. Porque aprender, para Débora e Jacqueline, sempre foi verbo em movimento.
Entre uma ação e outra, vieram os estudos, o mestrado compartilhado, os textos, as dúvidas, os cafés e as certezas de que estavam no caminho certo — mesmo quando o caminho parecia longo demais. Trabalharam juntas nas escolas EMEF Dr. Jorge Germano Sperb e Barão do Rio Branco, levando oficinas, construindo pontes, fazendo da interdisciplinaridade não um conceito bonito, mas uma prática viva.
E quando os muros da escola já não bastavam, elas foram além. Atuaram na Secretaria do Meio Ambiente, ampliando o alcance do que acreditavam: que educar é também cuidar, preservar, transformar. Desenvolveram, na prática, aquilo que tantos documentos orientam — os objetivos da BNCC e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável — mas fizeram isso com algo que nenhum documento ensina completamente: amor.
Amor no olhar atento às crianças atípicas, respeitando seus tempos, suas formas, seus silêncios e suas descobertas. Amor na paciência de recomeçar, planejar, ajustar, insistir. Amor em acreditar que cada pequena ação — uma tampinha recolhida, uma conversa iniciada, uma oficina realizada — pode ecoar muito além do que se vê.
Elas fizeram muito. E continuam fazendo. Porque o trabalho interdisciplinar, aquele de verdade, não nasce apenas de conteúdos que se cruzam, mas de pessoas que se encontram. E quando há vontade, planejamento levado a sério, paciência e amor, o impossível começa a parecer apenas… um próximo passo.
No fim das contas, Débora e Jacqueline não ensinaram apenas Ciências da Natureza ou História. Elas ensinaram que o mundo — assim como o conhecimento — é um só. E que cuidar dele também é uma forma de amizade.












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