quinta-feira, 14 de maio de 2026
Educação e Solidariedade
Educação e Solidariedade: A Prática Docente como Território de Coformação e Autoformação
Autora: Ma Débora Cristina Schilling Machry
Blog: Diário de Ciências: Débora Machry
https://cristinaschillingmachry45.blogspot.com/2026/05/abrindo-horizontes-na-horta-escolar.html
Resumo: O presente artigo discute como a interação entre instituições de ensino transcende a burocracia para se tornar um espaço de formação contínua. A partir do relato da parceria entre as EMEFs Barão do Rio Branco e Jorge Germano Sperb, analisa-se como a coleta seletiva e a troca de saberes ambientais ilustram os conceitos de autoformação e coformação na trajetória de Débora Machry.
1. Introdução: O Turismo de Propósito como Metáfora Pedagógica
A prática docente não se restringe à sala de aula; ela se expande nos encontros e na sensibilidade ao meio. O conceito de "turismo de propósito" citado no relato reflete o que Nóvoa (2009) define como a necessidade de o professor ocupar novos espaços para oxigenar sua prática. A visita da professora Débora Machry à escola Germano Sperb não foi um deslocamento físico, mas um movimento de busca por novas pedagogias.
2. A Autoformação na Prática de Débora Machry
A autoformação é o processo pelo qual o professor se torna sujeito de sua própria aprendizagem, refletindo sobre sua experiência e transformando-a em conhecimento.
No texto, a autoformação de Débora manifesta-se na criatividade pedagógica. Ao transformar um "freezer velho" em um silo de armazenamento para mais de 100 kg de papel, a professora exerce o que Josso (2010) chama de "aprendizagem biográfica". Ela utiliza os recursos disponíveis para criar soluções sustentáveis, demonstrando que o professor aprende ao fazer e ao atribuir novos sentidos a objetos obsoletos. A vontade de educar torna-se o motor que impulsiona a docente a buscar, de forma autônoma, a concretização do projeto de Coleta Seletiva.
"A formação não se faz de acumulação, mas de um trabalho de reflexividade crítica sobre as práticas e de reconstrução permanente da identidade pessoal." (NÓVOA, 2009).
3. A Coformação: O Intercâmbio entre Débora e Jacqueline
A coformação ocorre na interação com o outro. É a formação mútua, onde o saber de um docente alimenta e transforma a prática do colega. No relato, esse processo é evidenciado em dois momentos:
A Logística da Generosidade: Quando a professora Jacqueline mobiliza a escola para doar papel e tampinhas, ela valida o projeto de Débora. A coformação aqui reside no apoio institucional e humano que fortalece a prática socioambiental da interdisciplinaridade entre as duas escolas da Barão do Rio Branco e Germano Sperb.
O Olhar Turista na Horta: A visita de Jacqueline à horta da escola Barão exemplifica a "troca de experiências". Ao sugerir melhorias e dicas de cultivo, Jacqueline atua como uma parceira crítica. Essa "semeadura de ideias" é a essência da coformação: um espaço coletivo onde o saber não é hierarquizado, mas compartilhado para o crescimento de ambos (PASCAL, 1998).
Segundo Imbernón (2010), a formação em contexto de trabalho, através da colaboração entre pares, é a forma mais eficaz de desenvolvimento profissional. As escolas deixam de ser ilhas isoladas para se tornarem uma rede.
4. Conclusão
O carro "pesado" da professora Débora simboliza o sucesso de uma pedagogia do encontro. A autoformação permitiu que ela enxergasse valor no descarte, enquanto a coformação com a professora Jacqueline transformou uma visita de rotina em uma ponte de saberes. O intercâmbio entre a Barão do Rio Branco e a Germano Sperb prova que a educação ambiental e a formação docente caminham juntas quando o "passaporte" é a vontade de transformar o mundo.
Referências Bibliográficas
IMBERNÓN, Francisco. Formação continuada de professores. Porto Alegre: Artmed, 2010.
JOSSO, Marie-Christine. Caminhar para a si: da formação de adultos à antropológica da formação. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2010.
NÓVOA, António. Professores: imagens do futuro presente. Lisboa: Educa, 2009.
PASCAL, R. A Coformação no quotidiano. In: Formação e Gestão. Lisboa, 1998.
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