segunda-feira, 18 de maio de 2026
** Abrindo Horizontes na EMEF Barão do Rio Branco- Pesagem total 276 Kilos Projeto Coleta Seletiva
Projeto de Coleta Seletiva: quando a escola ensina a cuidar da vida
Na correria dos dias, entre cadernos, brincadeiras, conversas e descobertas, existe algo muito maior acontecendo dentro da escola: a formação de seres humanos capazes de cuidar do mundo.
Foi com esse sentimento que nasceu o Projeto de Coleta Seletiva da EMEF Barão do Rio Branco, desenvolvido ao longo do ano letivo de 2026 sob a coordenação da professora Débora Cristina Schilling Machry. Mais do que recolher tampinhas plásticas e papéis recicláveis, o projeto vem despertando consciência, sensibilidade e responsabilidade ambiental em crianças e adolescentes da Educação Infantil, Ensino Fundamental I e Ensino Fundamental II.
Todos os dias produzimos resíduos. Muitas vezes sem perceber, consumimos, descartamos e seguimos em frente. Mas para onde vão essas tampinhas, papéis e plásticos depois que saem das nossas mãos? Quantos rios recebem lixo? Quantos animais sofrem ao ingerir resíduos? Quantas vidas silenciosamente desaparecem em meio à poluição causada pelo consumo desenfreado?
Essas perguntas passaram a ecoar dentro das salas de aula.
Inspirado em uma Educação Ambiental crítica, humana e transformadora, o projeto busca mostrar aos estudantes que pequenas atitudes possuem enorme impacto na preservação da vida planetária. Como dizia Paulo Freire: “a educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo.”
E é exatamente isso que vem acontecendo.
Todas as quartas-feiras, nos turnos da manhã e da tarde, a professora Débora percorre as salas de aula levando vídeos educativos, imagens impactantes do oceano plástico, rodas de conversa e reflexões sobre sustentabilidade, consumo consciente e cuidado com o planeta. Entre os materiais utilizados estão vídeos como O Vestido Azul, Tá Limpo, Como Cuidar do Meio Ambiente e O que é Meio Ambiente, além de conteúdos produzidos no Blog Diário de Ciências: Débora Machry.
Os encontros não acontecem apenas para ensinar conteúdos. Eles acontecem para tocar sentimentos.
Durante as conversas, muitos estudantes relatam situações vividas em casa, falam sobre lixo nas ruas, sobre rios poluídos e sobre animais feridos por resíduos descartados incorretamente. Aos poucos, a conscientização deixa de ser teoria e passa a fazer parte da vida cotidiana.
Ao final das atividades, tampinhas plásticas e papéis utilizados dos dois lados são recolhidos em bombonas reutilizadas de água. Depois, tudo é pesado em uma balança digital. O momento da pesagem tornou-se uma experiência coletiva de aprendizado e motivação. As crianças comemoram cada quilo arrecadado como quem celebra uma vitória do planeta.
E, de certa forma, é mesmo.
No dia 16 de maio de 2026, durante uma campanha realizada em um evento esportivo, foram arrecadados quase 174 quilos apenas de tampinhas plásticas. Somando os resíduos coletados na EMEF Barão do Rio Branco e na EMEF Germano Sperb, já ultrapassamos a marca de 276 quilos de materiais recicláveis arrecadados, incluindo 115 quilos e 696 gramas de papel.
Mais do que números, esses resultados representam vidas protegidas.
Cada tampinha retirada das ruas é um risco a menos para aves, peixes, cães, gatos e tantos outros animais que sofrem com a poluição causada pelo ser humano. Cada papel reciclado significa menos árvores derrubadas, menos desperdício e mais esperança de um futuro sustentável.
O projeto também fortalece a economia circular da comunidade escolar. Um reciclador — pai de uma estudante da escola — realiza a compra dos materiais arrecadados e encaminha os resíduos para a destinação correta. Assim, aquilo que seria lixo volta ao ciclo produtivo e ganha novo significado.
Com os recursos arrecadados, o sonho coletivo é adquirir brinquedos duráveis para o recreio escolar e brinquedos destinados aos estudantes atípicos, tornando os espaços da escola mais acolhedores, inclusivos e felizes.
Outro aspecto emocionante do projeto é perceber como o conhecimento ultrapassa os muros da escola. Muitas famílias passaram a separar resíduos em casa, reduzir desperdícios e discutir sustentabilidade no cotidiano. Os estudantes tornam-se multiplicadores ambientais dentro de suas comunidades.
E talvez essa seja uma das maiores conquistas da educação.
Segundo Leonardo Boff, “a sustentabilidade representa toda ação destinada a manter as condições que sustentam todos os seres.” Educar para a sustentabilidade é, acima de tudo, educar para o cuidado, para a empatia e para o respeito à vida.
O Projeto de Coleta Seletiva continuará ao longo de 2026 e pretende ampliar gradativamente a arrecadação para outros resíduos, como óleo usado e diferentes tipos de plástico. O caminho ainda é longo, mas cada estudante sensibilizado já representa uma semente plantada.
Porque ensinar Ciências também é ensinar humanidade.
Também é ensinar que o planeta não é um recurso infinito, mas a nossa casa comum.
Assinar:
Postar comentários (Atom)








Nenhum comentário:
Postar um comentário